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Flagrante da vida real I

 Francisco, filho de um proprietário de uma frota de ônibus, frequentava a escola do Ensino Fundamental. Certo dia, numa aula sobre equação do 2º grau, o professor Sebá ensinou como achar o vértice da parábola. No fim da aula, o professor Sebá passou vários exercícios para casa.

Francisco ao chegar em casa, sua mãe pergunta:
— Francisco, qual o dever de casa? Francisco responde:
— Achar as raízes da equação do 2º grau e o vértice da parábola.
Marcelo, o pai de Francisco, ao ouvir falar em achar as raízes da equação do 2º grau e o vértice da parábola, diz:
— Na época em que estudei o 1º grau, nunca tive o menor interesse em achar as raízes da equação do 2º grau ou o vértice da parábola!
—  Por que papai?
— Porque nunca tive a oportunidade de ver, em sala aula, uma só aplicação da equação do 2º grau num problema da vida real.

— No final da aula, papai, o professor Sebá pediu aos alunos que não faltassem a próxima aula porque ia mostrar algumas aplicações da equação do 2º grau em problemas da vida real.

— Meu filho, pergunte ao professor Sebá se, por meio da equação do 2º grau, será possível eu conseguir obter a maior receita possível na  minha frota de ônibus?

—   E quais as informações, sobre sua frota de ônibus, que deverei fornecer ao professor Sebá?
Flagrante da vida real I

— Anote aí: tenho uma frota de ônibus, e alugo cada ônibus para 40 ou mais passageiros. Se o número de passageiros for exatamente 40, cada um pagará R$350,00. Haverá um abatimento de R$5,00 para cada passageiro que exceder os 40. Como a capacidade de cada ônibus é de 60 passageiros, qual deverá ser o número de passageiros em cada ônibus, a fim de que eu obtenha a maior receita possível, ou seja, a receita máxima? Qual o valor da receita máxima?

Na aula seguinte, Francisco apresenta o problema ao professor Sebá. Ao lê-lo, o professor Sebá diz para a turma:
— Bem, pessoal, eu ia formular para vocês, um problema hipotético para ser resolvido por meio da equação do 2º grau, mas Francisco me apresentou um problema que seu pai formulou, relacionado com sua frota de ônibus. Vou ler o problema para vocês. Após lê-lo, o professor Sebá vai ao quadro-negro e escreve:
Resolução:
Seja R= Receita. Logo, R= Número de passageiros vezes pagamento por passageiro. Se o número de passageiros passar de 40 para 41, então:
 
Pagamento por passageiro =3505(4140)=3505(1).
Se o número de passageiros passar de 40 para 42, então:
 
Pagamento por passageiro =3505(4240)=3505(2). E assim por diante.
Se o número de passageiros for x, então:
Pagamento por passageiro =3505(x40)=3505x+200=5505x. Como x corresponde ao número de passageiros, e a receita é igual ao número de passageiros vezes pagamento por passageiro, logo:

\int_0^1 f(x) \, \mathrm{d} x

R=x(550-5x) ou R(x)=-5x^2+550x

$latex R x(5505x)$ ou $latex R(x)=5x^2+550x$
 
Vamos achar o valor de x que dá o máximo à $latex R(x)=-5x^2+550x$ de duas maneiras:
a) Por meio da fórmula de Bhaskara.
b) Por meio do vértice da parábola.
a) Vamos tirar, de $latex R(x)=5x^2+550x$, os dados necessários para usar na fórmula de Bhaskara:
Dados: a=5; b=550 e c=0.

Substituindo os dados na fórmula de Bhaskara, obtém-se:

$latex x=\frac{b\pm \sqrt{b^24ac}}{2a}$

$latex x=\frac{550\pm \sqrt{550^24(5)(0)}}{2*(5)}$

$latex x_1=0$ e$latex x_2=110$
Como o valor máximo (VM) de R(x) é dado pela média entre as duas raízes, logo:

$latex V_M=\frac{x_1+x_2}{2}$

$latex V_M=\frac{0+1102}{2}$

$latex V_M=55$
Portanto, x=55 dá o maior valor à $latex R(x)=5x^2+550x.$
b) Já que a equação da receita é do 2º grau, logo, seu gráfico é uma parábola. Como o coeficiente de x2 é negativo, então, a receita atinge o máximo no vértice da parábola. Como o vértice da parábola é dado por:

$latex  V\left(\frac{-b}{2a},\frac{(b^24ac)}{4a}\right)$

$latex X_v=\frac{b}{2a}$

$latex Y_v=\frac{(b^24ac)}{4a}$

Onde:
V= Vértice da parábola
Xv=X do vértice
Yv=Y do vértice
$latex \delta=b^24ac$

Como a=5 e b=550, logo:

$latex X_v=\frac{550}{2(5)}$

$latex X_v=55$
Portanto: x=55.
O professor Sebá volta-se para Francisco, e diz:
— Como x corresponde ao número de passageiros, logo, para seu pai obter a maior receita possível, ele deve alugar cada ônibus para grupo de 55 passageiros. Se seu pai alugar ônibus para grupo com menos de 55 passageiros ou mais, a receita será menor.
Após a aula Francisco retorna a sua casa, e ao encontrar o pai, diz:
— Papai, o professor Sebá resolveu o seu problema!
— Mostre-me!
Marcelo ao ver a solução do problema, diz ao filho:
Nós empresários, meu filho, podemos estar certos de que, toda a matemática do 1º grau que aprendemos nas escolas “chatas” da vida, tem um valor incalculável para os problemas que nos defrontamos no dia a dia.
São resultados que os seres humanos levaram centenas, milhares de anos para descobrir. No entanto, o empresário simplesmente não sabe, e muitos nem desconfiam, do quanto a Matemática pode ser-lhes útil. Se o empresário diplomado (ou não) tivesse noção do quanto desperdiça realizando um projeto sem aplicar Matemática, seu comportamento seria outro: procuraria um profissional competente em assuntos matemáticos.
— Por que um profissional competente em assuntos matemáticos?
— Porque, meu filho, a arte de aplicar a Matemática à vida, não é ensinada nas escolas “chatas” da vida, pela razão óbvia de os professores (a maioria) desconhecerem por completo, que a Matemática do Ensino Fundamental pode ser muito útil para qualquer atividade empresarial.
Este artigo foi escrito e enviado por Sebastião Vieira do Nascimento (Sebá). Professor Titular (por concurso) aposentado da UFCG – PB.Foi extraído do site http://www.prof-edigleyalexandre.com/

 

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